«Por todo o lado as pessoas
aguardam um messias e o ambiente está carregado com o peso dos grandes e
pequenos profetas […] partilharemos todos a mesma sorte: trazemos dentro de nós
mais amor e, acima de tudo, maiores anseios do que qualquer sociedade dos
nossos dias pode satisfazer. Amadurecemos todos, à espera de qualquer coisa, e
ninguém vem colher o fruto.»
Karl Mannheim (1922)
Infelizmente ninguém sabe que
aspecto terá o nosso mundo daqui a 6 meses, um ano, dois … Nunca fomos bons a
prever o futuro, mas hoje, é tarefa impossível. E assim que o Covid-19 possa
reprogramar o nosso modo de vida, os cérebros e as mentes, deixaremos de ter
certezas seja sobre o que for – incluindo uma coisa que até há pouco tempo já
era questionada: a Ordem Liberal Internacional.
Hoje, ainda mais, não teremos a
menor ideia do que será, entre outras, China, EUA, Rússia, Europa, UE. Mas, há
hora que escrevo estas linhas, os EUA estão em pânico. Na Big Apple soam
todos os alarmes. Os Governadores estão a interligarem-se, pois, a Casa Branca
está out. Trump só está preocupado com a economia e, claro por isso, com
a sua reeleição. A China está a controlar e a reparar os danos provocados e,
pasme-se, a «dar-se ao luxo» de ajudar a Europa (a factura do almoço virá
depois).
Já antes da pandemia, a China
fazia perigar a «velha» Ordem Liberal Internacional. Ainda há pouco existiam
várias linhas de pensamento na memorização da informação. Se num passado, isso
fazia sentido porque a informação era escassa, e o seu lento pingar passava
ainda pelos crivos das censuras, por contraste, no século XXI, fomos inundados
por quantidades gigantescas de informação e os «censores» são incapazes de a
filtrar - cai em catapulta.
Hoje são as redes sociais a «comandarem» uma grande parte da informação. Os mídia tradicionais tentam acompanhar, sem grande sucesso, esta nova ordem comunicacional. Por isso, mais do que nunca, dos escombros, precisaremos – se nos deixarem - de pensamento crítico, comunicação, colaboração e criatividade (em inglês, dará os «quatros C»).
Hoje são as redes sociais a «comandarem» uma grande parte da informação. Os mídia tradicionais tentam acompanhar, sem grande sucesso, esta nova ordem comunicacional. Por isso, mais do que nunca, dos escombros, precisaremos – se nos deixarem - de pensamento crítico, comunicação, colaboração e criatividade (em inglês, dará os «quatros C»).
Com o Covid-19, o mundo percebeu
que a China estava preparada para uma qualquer «guerra biológica» - não se
fazem hospitais em três dias, se não tenha sido feito um treino para tal. O
regime autoritário e a capacidade de resiliência da sua população fizeram o
resto. A população dos EUA não tem essa capacidade de resiliência e está sem
liderança. Trump dividiu a América em duas e isso vai-lhe sair caro. Talvez
imponha, devido às circunstâncias, uma ditadura militar. O controlo já não será
com as suas «fronteiras». Será bem lá dentro e, se assim for, uma escalada para
uma outra guerra civil será apenas um pequeno passo.
Qualquer cenário ficará
longe da verdade. As certezas e as suas especificidades ficarão no baú. Só
saberemos que a mudança, per si, será a única certeza. Para quem
sobreviver ao caos, ir-se-á de precisar de uma flexibilidade mental e grandes
reservas de equilíbrio emocional. Se a Revolução Industrial nos deixou,
como herança, a teoria educativa da linha de montagem, já antes desta pandemia,
já estava tudo bem diferente, com a robotização em destaque. E a China como a
potência com mais capacidade para o desenvolvimento da IA e biotecnologia – tem
167 instituições académicas e de investigação, contra 103 dos EUA.
Se existir um «day-after» (a
pandemia não mata, vai matando), a tecnologia poderá em muito ajudar-nos, seja
qual vier a ser a ideologia reinante e dominante. Mas se dessa tecnologia
precisaremos, não poderemos ficar dela reféns. Se não soubermos o que queremos,
poderemos dar por nós a servir os seus interesses e, o mais grave de tudo, de
quem a controla.
Se os algoritmos já nos observam
neste preciso momento, pior será quando nos conhecerem mais do que nos
conhecemos e, assim, conseguirão controlar-nos e manipular-nos. E voltando à
questão tão ou mais preocupante, quem deterá, num futuro próximo, esse poder, essa
tão preciosa informação? (continua … daqui a uns tempos)
Manoel de Povos, 24 de março de
2020, 03h e 04m

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